Às vésperas do novo ano que se avizinha, termino de reler “Dom Casmurro” para reviver aquela clássica e infausta inquietação: Capitu traiu?
Tendo apostado anteriormente na culpa da morena, desta vez a leitura inclinava-se a me convencer de que tudo foi mera arte das aflitas idéias de Bentinho, a construir grandes conjeturas a partir de parcos fundamentos e a dar voz e feições de realidade à sua extensa, todavia tácita imaginação, de modo a beirar loucura — notadamente quando se encontra às vias de matar a si ou ao garoto.
Mas o retorno de Ezequiel, narrado ao final do livro, me impediu de crer em Capitu. Como pode? O garoto, já moço, é agora ainda mais assemelhado a Escobar, de tal modo que Bentinho, em pensamento, exclama que era o próprio, o exato e verdadeiro Escobar.
Veja bem que não me apóio na sagacidade da linda moça com olhos de cigana oblíqua e dissimulada — cuja astúcia juvenil chega a permitir ao leitor caçoar de Bentinho –, mas me fundamento na espantosa semelhança entre o garoto e o amigo. Poderia eu falar em coincidência e mitigar tais probabilidades?
Logo, não mais tenho coragem de ver a culpa de Capitu por ter me assustado a perturbação mental de Bentinho, a qual tampouco me basta para inocentá-la, haja vista o mal-estar da semelhança entre Ezequiel e Escobar. Creio que nada faço senão adotar a posição conservadora e declarar nada concluir — como, aliás, tenho feito em debates de outra sorte.











De pleno acordo com tudo que você disse.
Sempre fiquei com aqueles que acreditam que Bentinho precisa carregar o peso de dois chifres e ainda limpar a bundinha do Escobarzinho, e tudo isso mesmo que os chifres e o Escobarzinho sejam meras invenções de sua imaginação torturada pelos “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” da misteriosa Capitu.
Cara,
Depois de retornar ao Dom Casmurro, é hora de retornar ao Blog.
Suponho que o afastamento tenha alguma relação com a água de côco.