É fim de férias e eu não fui à praia. Até cogitei, mas não fui. A propósito, na última vez em que fui à praia, foi em outro país, e de surpresa – eu não provoquei e sequer esperava. Então, aqui mesmo, no Brasil, não visito o litoral há anos.
Como? Alguém já se pergunta, com a naturalidade de quem crê na indissociabilidade entre os vocábulos praia e férias.
Por motivos que não conheço, o Brasil é um país mentalmente preso a seu litoral, como se Tordesilhas ainda ditasse os limites dessa terra, fazendo na fronteira em terra uma extensão menor do que a litorânea. A imagem do paraíso brasileiro cravada no imaginário dos locais e dos estrangeiros necessariamente encontra-se no litoral. Assim, as cidades fincadas no interior se identificam tão-somente com o trabalho, algo que São Paulo e Brasília hão de confirmar.
“Que pena que Belo Horizonte não tem praia!”, dizem vários, como se fosse coisa extremamente incomum. Ora, como obviamente a maior parcela territorial dos continentes fica no interior e não no litoral, não há de ser surpresa encontrar a maioria das cidades longe das praias, com gente a viver, trabalhar — e também se divertir.
Ironicamente, os mineiros são os que mais conhecem sobre praias no país. Com alta probabilidade de se sair bem informado, pergunte a qualquer um de nós sobre o assunto e saiba de pronto acerca de para onde ir, onde ficar, o que usar, o que comer, como chegar, quando ir e quanto pagar. Saberão falar bem ou mal de muito pontos do litoral em que não vivem, mas que visitam no mínimo anualmente e têm como nicotina — um vício.
Ora, do ponto de vista de outrem, sou uma vergonhosa exceção, pois não entendo e nem aprecio tanto as praias. Antes que alguém se convença de que ajo por despeito, digo que não são só areia e água salgada, como sugere o título da postagem que consiste em mero chamativo a atrair leitores, pois há todo tipo de belas paisagens e grandiosas experiências, eu concordo.
Mas há uma contradição, ah como há. No verão, quero eu é me refrescar. À praia, entretanto e como me disse a Moça-dos-olhos-cor-de-mel, vão as pessoas é para se esquentar, aquecer, acalorar, torrar, pois certamente passam mais tempo à areia do que ao mar, cuja água salgada (convenhamos!), é desconfortável como suor e não permite longa permanência a quem nada curto. Logo, é certo que as cachoeiras mineiras, onde se encontra água fresca e doce junto à sombra dos montes e pedras, são melhor remédio para o verão do que qualquer praia.
Mas jamais deixarão de se assustar com minha particular opinião sobre praias, apontando-me como estranho, pois sou mineiro e nunca fui à Guarapari, onde, dizem, o “Estado de Minas” vende mais que os jornais locais.
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