O Provisório Fim das Incertezas Finitas

Uma grande falta de educação, é isso. Grave falta a minha, muito embora eu tenha (como sempre) minhas boas desculpas.

Passei esse tempo todo tentando crer que voltaria a escrever, tornando tudo como era antes.

Mas vamos cair na real: alguém tem que ganhar a vida e esse alguém sou eu. Enquanto eu permanecer trabalhando e estudando por múltiplos caminhos e para múltiplas finalidades, não posso sustentar vícios de qualquer espécie, sejam Simcity, livros, balas de goma ou este blogue.

Portanto, após tomar coragem, decreto o fim deste blogue, que, quem sabe… algum dia… se eu não esquecer a senha… se o WordPress não for comprado pelo Google ou pelo Anticristo (…se não for tudo a mesma coisa), talvez eu retorne a clicar o botão “publicar”.

Não Estou Só

Anticarnaval

A chamada da Globeleza, junto às tormentosamente repetitivas perguntas sobre o que vou fazer no feriado, me lembra a todo momento que o carnaval está próximo. Estão todos a se preparar para aquele ajuntamento donde se acaba para depois começar o ano e produzir. A sorte da nação é que, neste ano, a data veio mais cedo, o que decerto irá colaborar para que o país registre crescimento econômico recorde — e não será coincidência.

A despeito de não duvidar da minha identidade cultural como brasileiro, o carnaval me causa um estranhamento severo. É quase como receber um carimbo na testa: “rejeitado”. Ou como se fosse americano e comunista ao mesmo tempo. Só um anticarnaval ainda não inventado seria capaz de me dizer que sou querido e ainda tenho um lugar para viver: uma ocasião a ocupar esses quatro dias com festejos que incluissem, minimamente, refrões que não se resumem a sílabas e gente que não faz xixi nas ruas.

A maioria dos viventes diz que Belo Horizonte é deprimente durante o carnaval. Eu acho linda. E já que todos os amantes do carnaval que aqui vivem se vão para Ouro Preto, Diamantina, Rio ou Salvador, concluo que há muito estamos perdendo a ímpar oportunidade de fazer um grande festival anticarnavalesco na capital da Terra Alterosa.

O secretário de turismo que me leia. Imagine várias alternativas concentradas na cidade. Feiras literárias e de quadrinhos, mostras de cinema e outras artes, música por todos os lados (jazz, blues, heavy metal, mpb, viola caipira e até mesmo samba de boa qualidade — daquele para curtir tranqüilamente tomando um guaraná, ou, para quem gosta, uma cervejinha). Tantos atrativos por um custo menor e um ganho maior, quem sabe. Dos 170 milhões, pelo menos uns 2,3 (a população de Belo Horizonte) espalhados no país devem estar se perguntando sobre como fugir da festa tão alardeada.

As pessoas virão a preços baratos (para voar até BH em dias de carnaval, as companhias, no desespero, ofereceriam passagens aéreas por poucos reais) e, portanto, terão mais dinheiro para deixar na cidade. E na quarta de cinzas, os gastos para limpar as ruas serão bem menores, pois não serão necessários caminhões-pipa de detergente para lavar as ruas mijadas…

Senhores, é lucro certo!

Sim, o blogue está parado mesmo. Passadas as férias (pois nas férias, tira-se férias da internet também), agora, a tomar meu tempo, é o trabalho e, principalmente, uma peça acadêmica a ser pensada e redigida.

Enquanto isso, se você continuar por aqui, prometo enrolá-lo com qualquer postagem que não valha o seu tempo.

São Só Areia e Água Salgada

É fim de férias e eu não fui à praia. Até cogitei, mas não fui. A propósito, na última vez em que fui à praia, foi em outro país, e de surpresa – eu não provoquei e sequer esperava. Então, aqui mesmo, no Brasil, não visito o litoral há anos.

Como? Alguém já se pergunta, com a naturalidade de quem crê na indissociabilidade entre os vocábulos praia e férias.

Por motivos que não conheço, o Brasil é um país mentalmente preso a seu litoral, como se Tordesilhas ainda ditasse os limites dessa terra, fazendo na fronteira em terra uma extensão menor do que a litorânea. A imagem do paraíso brasileiro cravada no imaginário dos locais e dos estrangeiros necessariamente encontra-se no litoral. Assim, as cidades fincadas no interior se identificam tão-somente com o trabalho, algo que São Paulo e Brasília hão de confirmar.

“Que pena que Belo Horizonte não tem praia!”, dizem vários, como se fosse coisa extremamente incomum. Ora, como obviamente a maior parcela territorial dos continentes fica no interior e não no litoral, não há de ser surpresa encontrar a maioria das cidades longe das praias, com gente a viver, trabalhar — e também se divertir.

Ironicamente, os mineiros são os que mais conhecem sobre praias no país. Com alta probabilidade de se sair bem informado, pergunte a qualquer um de nós sobre o assunto e saiba de pronto acerca de para onde ir, onde ficar, o que usar, o que comer, como chegar, quando ir e quanto pagar. Saberão falar bem ou mal de muito pontos do litoral em que não vivem, mas que visitam no mínimo anualmente e têm como nicotina — um vício.

Ora, do ponto de vista de outrem, sou uma vergonhosa exceção, pois não entendo e nem aprecio tanto as praias. Antes que alguém se convença de que ajo por despeito, digo que não são só areia e água salgada, como sugere o título da postagem que consiste em mero chamativo a atrair leitores, pois há todo tipo de belas paisagens e grandiosas experiências, eu concordo.

Mas há uma contradição, ah como há. No verão, quero eu é me refrescar. À praia, entretanto e como me disse a Moça-dos-olhos-cor-de-mel, vão as pessoas é para se esquentar, aquecer, acalorar, torrar, pois certamente passam mais tempo à areia do que ao mar, cuja água salgada (convenhamos!), é desconfortável como suor e não permite longa permanência a quem nada curto. Logo, é certo que as cachoeiras mineiras, onde se encontra água fresca e doce junto à sombra dos montes e pedras, são melhor remédio para o verão do que qualquer praia.

Mas jamais deixarão de se assustar com minha particular opinião sobre praias, apontando-me como estranho, pois sou mineiro e nunca fui à Guarapari, onde, dizem, o “Estado de Minas” vende mais que os jornais locais.

De Meu Retorno à “Dom Casmurro”

Às vésperas do novo ano que se avizinha, termino de reler “Dom Casmurro” para reviver aquela clássica e infausta inquietação: Capitu traiu?

Tendo apostado anteriormente na culpa da morena, desta vez a leitura inclinava-se a me convencer de que tudo foi mera arte das aflitas idéias de Bentinho, a construir grandes conjeturas a partir de parcos fundamentos e a dar voz e feições de realidade à sua extensa, todavia tácita imaginação, de modo a beirar loucura — notadamente quando se encontra às vias de matar a si ou ao garoto.

Mas o retorno de Ezequiel, narrado ao final do livro, me impediu de crer em Capitu. Como pode? O garoto, já moço, é agora ainda mais assemelhado a Escobar, de tal modo que Bentinho, em pensamento, exclama que era o próprio, o exato e verdadeiro Escobar.

Veja bem que não me apóio na sagacidade da linda moça com olhos de cigana oblíqua e dissimulada — cuja astúcia juvenil chega a permitir ao leitor caçoar de Bentinho –, mas me fundamento na espantosa semelhança entre o garoto e o amigo. Poderia eu falar em coincidência e mitigar tais probabilidades?

Logo, não mais tenho coragem de ver a culpa de Capitu por ter me assustado a perturbação mental de Bentinho, a qual tampouco me basta para inocentá-la, haja vista o mal-estar da semelhança entre Ezequiel e Escobar. Creio que nada faço senão adotar a posição conservadora e declarar nada concluir — como, aliás, tenho feito em debates de outra sorte.

De Onde Vem a Calma

Scared of Santa

Scared of Santa

Eu já disse abaixo. O Papai Noel não é lá um sujeito bonzinho…

Você não pode deixar passar o Natal sem ver a coletânea de fotos de crianças se assustando com o Barbudo. É um verdadeiro achado. Veja aqui.

Ordinário

Estou cá mineiramente matutando a respeito do caminho que tomei para me tornar ordinário, isto é, não especial.

A pensar na idéia de Constituição não como um documento meramente formal, mas sim uma carta-compromisso a constituir um estado desejável, creio que o direito — e a interpretação que se faz desse direito — deveria ser de conhecimento de todos.

Ora, se é a partir do direito que uma sociedade se organiza, aqueles que fazem parte dessa sociedade são todos interessados no direito, afinal, a sua dignidade e liberdade dependem em muito do que se faz desse instrumento. Ademais, o controle que se faz sobre os particulares e a Administração Pública, bem como os processos e instituições democráticas, todos interessam aos cidadãos, para bem ou mal — segundo sua ética e conveniência. Logo, estou certo de que o mundo seria pelo menos um pouco melhor se não apenas uma certa categoria profissional, mas todos se ocupassem de refletir nessa ciência.

Esse é o ponto. Existe uma série de outras ciências de cujo conhecimento prescinde a totalidade dos cidadãos. Eu não apostaria num mundo melhor simplesmente porque todos aprenderam robótica, química ou genética. Parece que bastam alguns se dedicarem a isso e é já suficiente para que todos os outros se aproveitem. E você pode passar sua vida toda sem conhecer a tabela periódica…

Com o direito é diferente. Não parece haver tão-somente um que não tenha recorrido a ele. Basta pedir uma porção de torresmos no boteco ou comprar um cacho de bananas na feira e tem-se um contrato. Cumpre apenas encarar a rotineira dominação dos fortes sobre os fracos para meditar sobre a justiça dessa realidade, isto é, sobre a sua conformidade junto àquela carta-compromisso a constituir um estado desejável.

Todas as pessoas, indistintamente, sejam médicos ou operários ou engenheiros ou camelôs ou comerciantes ou prostitutas ou psicólogos ou assassinos, são, portanto, partícipes do ordenamento jurídico e intérpretes da Constituição.

Do exposto, a inexorável conclusão diz que o “operador” do direito — advogado, juiz, promotor e etc. –, ao invés de encontrar-se arvorado na extraordinária figura do hermeneuta jurídico, é um mero cidadão que estudou aquilo que todos deveriam ter estudado. Em suma, é um sujeito que nada fez além de sua obrigação.

É por isso, leitor, que esse ofício que tomei fez de mim esse ordinário que me tornei.

Papai Noel, Go Home !!!

Maria e Papai Noel

Já começou. Vê-se nos Cárpatos a singular aglomeração, pois, em nome de todos os seres viventes, os tchecos iniciam a marcha que alcançará a Lapônia e dará cabo do império maligno levantado pelo Sr. Papai Noel. Aproveitando-se da boa fama de São Nicolau de Mira, que presenteava, às escondidas, as noivas pobres com dinheiro para o dote, este simulacro de vovô há décadas obscureceu o sentido do Natal. Todavia, o reinado sombrio deste abjeto senhor há de tombar. Junto a ele, toda a imbecilidade que hoje assombra o Natal, fomentando o inescrupuloso consumismo capitalista, irá desvanecer e perder-se na história pelas mãos destes valentes centroeuropeus, que marcharão contra qualquer duende e farão justiça ao 25 de dezembro.
Todos os irresignados estarão convocados a resistirem às investidas deste senhor. Ao som de Papai Noel, velho batuta, expulsaremo-lo também desta terra brasileira para que a tema e não mais se apresente por cá!

PAPAI NOEL, GO HOME !!!

Conheça o movimento tcheco clicando aqui.

Conheça as crianças que fazem parte do movimento clicando aqui.

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